Um workshop que dará ênfase ao processo como meio de motivação principal do pensamento e concepção do desenho. Um exercício a que chamaremos DESENHO SENSORIAL.
As relações entre os vários sentidos são constantes na nossa experiência. Para além da sensação visual, táctil e auditiva em si, temos muitas vezes, na nossa percepção do mundo, sensações mistas onde essas diferentes categorias nos surgem associadas, ou que através de uma delas conseguimos evocar as restantes.
Neste exercício cada participante trabalha a partir de um pedaço de barro ou plasticina e terão de modelar, ao som de música e com os olhos vendados, uma forma orgânica que não represente nada em concreto. Ao som da música, num exercício de relaxamento háptico, (adjectivo Relativo ao tacto ou ao toque (ex.: percepção háptica, sistema háptico). = TÁCTIL), utilizando as mãos para sentirem a textura, peso e consistência do material, vão tentando construi a sua forma.
A experiência do desenho é aqui ampliada através dos diferentes sentidos num processo de contínua compensação.
As mãos, os dedos, as extremidades são aqui os órgãos sensíveis exploratórios, mas também os órgãos motores performativos.
Quando sentirem que a peça está concluída, e ainda com os olhos vendados, tentam fazer várias representações pelo desenho, utilizando o sentido tacto para sentir a forma e textura da peça. Poderão utilizar qualquer material riscador que estiver à mão.
Neste exercício o processo elimina numa primeira etapa, a generalização figurativa que usamos normalmente para representar as coisas, substituindo o impulso de querermos representar as coisas com o rigor do olhar, passando a representar as coisas através do que se determina e organiza pelo sentido táctil.
Neste processo ainda de desenho cego, neste caso não estando a ver nem o objecto a desenhar nem as marcas gráficas no papel, o desenho é o que o processo vai revelando. Estes desenhos processuais são trabalhos nos quais o fazer (do desenho) se torna o próprio desenho. O desenho decorre de um conjunto de operações.
Quando sentirem que já fizeram representações suficientes desse modelo, tiram a venda dos olhos e aí já farão desenho à vista da peça construída, com diferentes materiais riscadores e recorrendo a várias abordagens do desenho.
O objectivo final será, através do processo do desenho, numa constante metamorfose, transformar os vários registos numa ilustração que já represente algo concreto.
Pretende-se que o resultado seja uma ilustração ao qual os participantes darão um título.
Metamorphosis [Sensory Drawing]
A workshop that will emphasize the process as the primary means of motivating thought and design conception. An exercise we will call SENSORY DRAWING. The relationships between the various senses are constant in our experience. In addition to visual, tactile, and auditory sensations themselves, we often experience mixed sensations in our perception of the world, where these different categories appear to us associated, or through one of them we can evoke the others. In this exercise, each participant works blindfolded with a piece of clay or play dough and, to the sound of music, must model an organic form that does not represent anything concrete. To the sound of music, in an exercise of haptic relaxation (adjective: Relating to touch or touch (e.g., haptic perception, haptic system). = TACTILE), using their hands to feel the texture, weight, and consistency of the material, they attempt to construct its form. The drawing experience is expanded here through the different senses in a process of continuous compensation. The hands, fingers, and extremities are the exploratory sensory organs, but also the performative motor organs. When the participants feel that the piece is complete, and still blindfolded, they attempt to make various representations of the drawing, using their sense of touch to feel the shape and texture of the piece. They can use any drawing material at hand. In this exercise, the process initially eliminates the figurative generalization we typically use to represent things, replacing the impulse to represent things with the rigor of the gaze, and moving on to representing things through what is determined and organized by the tactile sense. In this process of blind drawing, in which neither the object to be drawn nor the graphic marks on the paper are visible, the drawing is what the process reveals. These procedural drawings are works in which the making (of the drawing) becomes the drawing itself. Drawing results from a set of operations. When they feel they've made sufficient representations of this model, they remove the blindfold and begin drawing the finished piece in plain sight, using different materials and various drawing approaches. The ultimate goal will be, through the drawing process, in a constant metamorphosis, to transform the various records into an illustration that already represents something concrete. The aim is for the result to be an illustration to which the participants will give a title.
Joana Rêgo nasceu no Porto. Artista Plástica – Pintora. Professora Auxiliar na FBAUP- Departamento de Artes Plásticas, Pintura. Doutoramento pela FBAUP no Doutoramento DAD (Doutoramento em Arte e design), 2017. Diploma de Estudos Avançados do Doutoramento “Modos de conhecimento na prática Artística Contemporânea”, 2006 Pela Universidade de Vigo — Faculdade de Belas Artes de Pontevedra, Espanha. Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento em 1998 / 1999. Mestrado em Pintura no San Francisco Art Institute, EUA, 1999. Curso de Artes – Plásticas, Pintura pela FBAUP em 1995. Tem participado em diversos júris e orientado vários workshops nacionais e internacionais. Em 2001 obteve uma bolsa da Comissão Tripartida (IAC; Gulbenkian e FLAD) para realização de exposição Individual em Roterdão - Holanda, no âmbito do projecto Porto - Roterdão Capitais Europeias da Cultura. Realizou cerca de 30 exposições individuais em Portugal e no estrangeiro. Participou em diversas exposições / projectos colectivos em Portugal e no estrangeiro. Está representada em várias colecções particulares e institucionais em Portugal e no estrangeiro de entre elas: Museu Amadeo de Souza- Cardoso, Museu de Vila Nova de Cerveira, Fundação PMLJ, Parlamento Europeu – Bruxelas, Bolsa de Valores de Lisboa e Porto, Colecção Caixa Geral de Depósitos, Colecção Berardo, Fundação Luís I - Centro Cultural de Cascais, Museu FBAUP.
Joana Rêgo was born in Porto. Visual Artist – Painter. Assistant Professor at FBAUP - Department of Fine Arts, Painting. PhD from FBAUP in the DAD (Doctorate in Art and Design) program, 2017. Diploma of Advanced Studies in the Doctorate "Modes of Knowledge in Contemporary Artistic Practice," 2006, from the University of Vigo - Faculty of Fine Arts of Pontevedra, Spain. Scholarship recipient from the Calouste Gulbenkian Foundation and the Luso-American Foundation for Development, 1998/1999. Master's Degree in Painting from the San Francisco Art Institute, USA, 1999. Fine Arts Program, Painting, FBAUP, 1995. She has served on several juries and led various national and international workshops. In 2001, she received a grant from the Tripartite Commission (IAC; Gulbenkian and FLAD) to hold a solo exhibition in Rotterdam, Netherlands, as part of the Porto-Rotterdam European Capitals of Culture project. She has held approximately 30 solo exhibitions in Portugal and abroad. She has participated in several collective exhibitions/projects in Portugal and abroad. Her work is represented in several private and institutional collections in Portugal and abroad, including: Amadeo de Souza-Cardoso Museum, Vila Nova de Cerveira Museum, PMLJ Foundation, European Parliament – Brussels, Lisbon and Porto Stock Exchanges, Caixa Geral de Depósitos Collection, Berardo Collection, Luís I Foundation – Cascais Cultural Center, FBAUP Museum.