big bienal de ilustração de guimarães

\ A Teia da Ilustração

/ The web of illustration

big bienal de ilustração de guimarães

\ Ciclo de Palestras

Ciclo de palestras dedicadas à ilustração e destinadas ao público em geral, alunos do ensino secundário e universitário e artistas interessados.

Estas palestras têm a curadoria de Tiago Manuel, artista plástico.

\ Cycle of lectures

Cycle of lectures dedicated to illustration and aimed at the general public, secondary school and university students, and artists with a keen interest.

These lectures are curated by Tiago Manuel, visual artist.


Inscrição . Entry Form

A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia. Disponibilidade até lotação máxima da sala. A confirmação de inscrição será efetuada por e-mail.

Inscrição

Participation is free, but subject to prior registration. Availability until the maximum capacity of the room. Registration confirmation will be made by email.

Entry Form

26.nov / nov
Palestra . Lecture


\ Uma Abordagem à Obra de Maria João Worm e Isabel Baraona
/ An Approach to the Work of Maria João Worm and Isabel Baraona

por.by Sara Figueiredo Costa

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Uma abordagem à obra de Maria João Worm e Isabel Baraona a partir dos seus trabalhos de ilustração, nomeadamente os publicados em livro, plaquete ou outros objectos editoriais. O ponto central da abordagem será o da relação entre texto e imagem, assumindo o gesto de ilustrar na sua acepção etimológica e partindo daí para desbravar outras leituras e formas de diálogo entre a imagem e a palavra.


26 novembro 10h30

An approach to the oeuvre of Maria João Worm and Isabel Baraona based on their illustration works, namely those published in books, plaquette or other editorial objects. The central point of the approach will be the relationship between text and image, assuming the gesture of illustrating in its etymological meaning and, from there, starting to explore other readings and forms of dialogue between image and word.


November 26th 10h30


10.dez / dec
Palestra . Lecture


\ Liberdade para descobrir e errar melhor
/ Freedom to discover and make mistakes in a better way

por.by João Ramalho Santos

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Muitas vezes abordadas como sendo parte de galáxias distintas que nunca se cruzaram cruzam, ou cruzarão, a verdade é que Ciência e Arte têm, desde sempre, uma relação muito próxima. Ambas se dedicam a experimentar, descobrir e errar com método. E cada uma usa constantemente ferramentas, códigos e linguagens que se achariam específicos da outra, quer do ponto de vista técnico, quer de comunicação. A distância entre elas tende a ser artificial, criada e mantida de modo mutuamente corporativo, com recurso a linguagens herméticas, gestão de espectativas e dualidade de critérios (por exemplo: quem nada sabe de Arte é geralmente considerado “inculto”, mas não perceber nada de Ciência é “normal”); ou usando lugares comuns (“génio criativo”, “torres de marfim”, etc.). No fundo, o clássico “eu até explicava, mas tu não entendias”. Este estado de coisas é inevitável? Um diálogo mais aberto podia ser útil? Para quê, exatamente? Ou mais vale continuar tudo na mesma?


10 dezembro 10h30

Often approached as being part of distinct galaxies that have never crossed, intersect, or will ever intersect, the truth is that Science and Art have always had a very close relationship. Both are dedicated to experimenting, discovering and failing with a method. And each one constantly uses tools, codes and languages that would be specific to the other, whether from a technical or communication point of view. The distance between them tends to be artificial, created and maintained in a mutually corporate way, using hermetic languages, expectations management and duality of criteria (for example: those who know nothing about Art are generally considered to be "uneducated", but not understanding anything about Science is “normal”); or using commonplaces (“creative genius”, “ivory towers”, etc.). In the end, it's the classic “I would try to explain, but you wouldn't understand”. Is this state of affairs inevitable? Could a more open dialogue be helpful? For what, exactly? Or is it better to keep everything exactly the same?


December 10th 10h30


11.dez / dec
Palestra . Lecture


\ As tantas ilustrações
/ So many illustrations

por / by Sérgio Godinho

big sérgio godinho

Desde que me conheço, que me cruzei com grande prazer com as ilustrações de todo o género. Na primeira página dessa maravilha chamada ‘Alice no país das maravilhas’, a protagonista enfada-se ao passar os olhos por um livro. E pergunta-se: ‘Para que serve um livro sem imagens?’ É quando passa um coelho apressado, tirando do bolso do colete um grande relógio, consultando-o preocupado. ‘Ui, ui, já devo estar muito atrasado.’ E assim começa a grande aventura de Alice. Uma das coisas curiosas do livro, é que Lewis Carroll, foi também o seu primeiro ilustrador. Porque, afinal, ‘para que serve um livro sem imagens?’ Ele sabia disso.

Ainda em muito miúdo, foi Tintin que me ocupou os olhos. A minha avó paterna foi-me os comprando espaçadamente, na Livraria Lello – em francês. Tive, e tenho, uma verdadeira devoção pelas aventuras do ‘pequeno repórter’, pela sua evolução e progressivo enriquecimento, com o acrescento de novas e essenciais personagens (o Capitão Haddock, por exemplo, só aparece ao fim de uns tantos álbuns) e pela famosa ‘ligne claire’, que era a imagem de marca do seu desenho. Um inovador.

Comprava também o Cavaleiro andante, que saía em concorrência com o Mundo de aventuras – e, quanto a mim, ganhava. Uma espécie de competição entre clubes de topo.

Muito mais tarde, tive uma interacção activa entre a palavra e a imagem, na primeira pessoa. Estava a começar a escrever ‘O pequeno livro dos medos’, ficção infanto-juvenil, que viria a ter sucessivas edições. E tinham-me acabado de oferecer um grande maço de papel Fabriano. Quadrados de……? Usei aguarelas de tubo para ir pintando manchas no papel. Essas manchas, essas formas sugeriam-me figuras reconhecíveis – pessoas, caras, bichos. Por vezes, completei a imagem com uma caneta fina, uma Rotring, até fazer pleno sentido. Para que serve um livro sem imagens? dizia Alice. A história ainda estava, em grande parte, por inventar. E foi a partir desses desenhos que fui descobrindo uma narrativa desdobrada em várias. Da mancha ao conteúdo, um desdobrar dos sentidos.

Não fundo, não andava longe da minha escrita de canções, onde a música aparece quase sempre primeiro. Do abstrato passa-se para o concreto, dando-lhe várias leituras possíveis – liricamente, ritmicamente, metricamente. Além da sonoridade única da rima, e essa uma ferramenta de uma letra de cançãoespecial. A ser um segredo, era esse. Simples.

Foi uma obra irrepetível, e, no entanto, ecoou em várias outras linguagens.

Foi assim que construí este livro duplo, e nunca mais repeti a proeza (porque, para mim, foi uma proeza). Há coisas, que, se calhar, só devem ser feitas uma vez na vida. Por um momento eterno, aconteceu.

Fui um ilustrador, e nunca mais o serei. Não quero fazer fraca figura. Ter conseguido isso, com os meus recursos limitados, é para mim uma satisfação, e, porque não, um orgulho, qualquer coisa de surpreendente Não sabia que conseguia desenhar aquilo. Mais ia ser só desta vez, essa sensação de finitude a assentar numa certeza. Foi só desta vez, uma sensação consoladora.

Há assuntos irrepetíveis.

A minha terceira aventura com a ilustração, veio pela mão do João Paulo Cotrim, e da sua editora recém-formada, a Abysmo. Há muito tempo que achava um boa ideia, a reunião e o confronto entre uma letra de um minha canção e uma imagem, de preferência uma ilustração. E o João Paulo era a pessoa ideal para produzir e editar um livro assim. Tinha sido director da Bedeteca de Lisboa, conhecia de perto o trabalho dos ilustradores. E sim, queria fazer. Preparámo-lo em tempo recorde. Trata-se de encontrar os parceiros certos para um casamento profícuo. Escolhi quarenta letras minhas, e, salvo duas ou três excepções, foi ele quem se encarregou de encontrar o noivo certo para cada casamento. Com uma excepção, acertou à primeira. Ninguém contestou a canção que lhe deram, e todos entregaram o trabalho rapidamente. No alvo.

O livro acabou por chamar-se ‘Sérgio Godinho e as quarenta ilustrações’, um eco remoto dos quarenta ladrões. Todoss nós somos ladrões das ideias dos outros.

E teve um tratamento gráfico e uma capa de primeira água. Elisabete Gomes, a autora.

De todo esse labor conjugado saiu um álbum que, através das minhas canções, acabou por ser uma mostra abrangente da ilustração portuguesa. Só disso, e do empenho de todos, me orgulho.


11 dezembro 15h00

Ever since I've known myself, I've always had great pleasure coming across all kinds of illustrations. On the very first page of the marvel that is ‘Alice in Wonderland’, the protagonist gets bored when she glances over a book. And she asks herself: 'What is a book without pictures for?' That's when a rabbit rushes past, taking a large watch from his waistcoat pocket while consulting it worriedly. “Oh dear, Oh dear, I shall be too late”. And so Alice's big adventure begins. One of the many curious things about the book is that Lewis Carroll was also its first illustrator. Because, after all, 'what is a book without pictures for?' He knew that.

As a very young boy, it was Tintin who kept my eyes occupied. My paternal grandmother bought the books every so often at Lello Bookstore – in French. I had, and still have, a true devotion to the adventures of the 'little reporter', for its evolution and progressive enrichment, with the addition of new and essential characters (Captain Haddock, for example, only appears after a few albums) and for the famous 'ligne claire', which was the hallmark of its drawing. An innovator.

I also bought Cavaleiro Andante, which came out in competition with Mundo de Aventuras – and won, in my view. A kind of competition between top clubs.

Much later, I had an active interaction between word and image, in the first person. I was starting to write ‘The Little Book of Fears’, a children's fiction book, which would end up having successive editions. Plus I had just been offered a large wad of Fabriano paper. Squares of...?

I used tube watercolors to paint stains on the paper. These stains, spots and shapes suggested recognizable figures to me – people, faces, animals. Sometimes I completed the image with a fine pen, a Rotring, until it made perfect sense. What is a book without pictures for? said Alice. The story was, for the most part, yet to be invented. And it was from these drawings that I discovered a narrative unfolded in several others. From stain to content, an unfolding of the senses.

Deep down, I wasn't far from my own songwriting, where music almost always comes first. One moves from the abstract to the concrete, giving it several possible readings – lyrically, rhythmically, metrically. Besides the unique sonority of the rhyme, this is a special song lyric tool. If ever there was a secret, that was it. Simple. It was an unrepeatable work, and yet it echoed in several other languages.

That's how I constructed this double book, and I never repeated the feat (because, for me, it was definitely a feat). There are things that, perhaps, should only be done once in a lifetime. For an eternal moment, it happened. I was an illustrator, and I will never be one again. I don't want to look bad. Having achieved this, with my limited resources, is a great source of satisfaction for me, and, why not, something surprising, to be proud of. I didn't know I could draw that. It was only going to be this time, that feeling of finitude based on a certainty. It was just this once, a comforting feeling.

There are unrepeatable matters.

My third adventure with illustration came from João Paulo Cotrim and his newly formed publisher, Abysmo. For a long time I thought it was a good idea, the reunion and confrontation between the lyrics of my songs and an image, preferably an illustration. And João Paulo was the ideal person to produce and edit a book like this. He had been the director of Bedeteca of Lisbon and knew the illustrators' work closely. And yes, he really wanted to do it. We got it ready in record time. It's all about finding the right partners for a fruitful marriage. I chose forty of my lyrics, and, with two or three exceptions, he took it upon himself to find the appropriate groom for each marriage. With one exception, he got it right the first time. No one disputed the song they were given, and everyone turned in the work very quickly. On target.

The book ended up being called ‘Sérgio Godinho and the forty illustrations’, a remote echo of the forty thieves. We are all thieves of other people's ideas.

Plus it got a first class cover and graphic treatment from the author Elisabete Gomes.

From all this combined work, an album came out that, through my songs, turned out to be a comprehensive exhibition of Portuguese illustration. Just for that, and everyone's sheer commitment, I'm really proud of it.


December 11th 15h00


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Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG)
Black Box
Av. Conde Margaride, nº 175
4810-525 Guimarães

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